Consumo Consciente

Julho sem Plástico

Você já deve ter se deparado com a discussão do fim das sacolinhas e dos canudos plásticos, acertei?

Mas o que estes movimentos representam? Por que estamos declarando guerra ao plástico se ele está presente em quase tudo no nosso dia a dia e nos traz tantos benefícios?

Pois bem, chegou a hora de você entender que faz parte de tudo isso.

É inegável a utilidade e versatilidade do plástico1, este material foi desenvolvido e aplicado inicialmente para a produção de bolas de sinuca, substituindo o marfim, matéria prima que custava a vida de diversos animais2. Com o passar do tempo, devido suas características de maleabilidade, leveza, durabilidade e baixo custo, passou a ser o queridinho da indústria3.

E adivinhem, hoje está custando a vida de diversos animais4 e pode comprometer a nossa própria saúde5. Todos os dias nos oceanos morrem tartarugas, baleias, golfinhos, focas, leões marinhos e todo o tipo de bicho que você puder imaginar, devido a ingestão acidental de plástico ou sufocamento4 .

Em todas as eras geológicas, possuímos indicadores fósseis que ficam como registro do que aconteceu naquele determinado tempo, você consegue imaginar qual seria o indicador do tempo em que as atividades humanas têm provocado transformações profundas no planeta terra? Se você pensou no plástico… acertou! 1

A durabilidade e persistência do plástico no ambiente é tão grande que este está sendo apontado como o novo indicador da era que chamamos de Antropoceno1 .

Difícil nos ver vivendo sem plástico… Mas como continuar a viver com todos os impactos negativos que o plástico vem provocando?

O movimento julho sem plástico vem como um alerta, conta com 177 países e mais de 250 milhões de participantes engajados na diminuição do consumo do plástico6.  Não é apenas mais uma sacolinha, ou só uma fraldinha descartável.

O nosso consumo de plástico é insustentável… Menos de 9% de todo o plástico produzido no mundo vai para reciclagem7. Não damos conta de lidar com todo o plástico produzido, além da necessidade de mudanças nas políticas públicas, na implementação da logística reversa, precisamos entender que a responsabilidade é compartilhada, ou seja, cada um precisa fazer a sua parte!

Para começar é muito fácil, sempre que possível recuse plásticos de uso único, tais como: copinhos, pratos, garrafinhas, canudinhos, sacolinhas, embalagens e fraldas descartáveis.

A maior parte dos plásticos que encontramos nas praias sãos justamente os descartáveis8.

Escrito por Dra. Camila Burigo Marin

Nos acompanhe neste mês julho para saber mais sobre a problemática e saber como você pode fazer a diferença!

Referências

  1. ZALASIEWICZA, Jan et al. The geological cycle of plastics and their use as a stratigraphic indicator of the Anthropocene. Anthropocene, [s.i], v. 1, n. 13, p.4-17, jan. 2016.
  2. A Brief History of Plastic’s Conquest of the World. Disponível em: https://www.scientificamerican.com/article/a-brief-history-of-plastic-world-conquest/
  3. DAUVERGNE, Peter. Why is the global governance of plastic failing the oceans? Global Environmental Change, Amsterdam, v. 1, n. 51, p.22-31, maio 2018. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0959378017314140
  4. PANTI, C. et al. Marine litter: One of the major threats for marine mammals. Outcomes from the European Cetacean Society workshop. Environmental Pollution, [s.l.], v. 247,p.72-79, abr. 2019. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.envpol.2019.01.029
  5. GROH, K. J. et al. Overview of known plastic packaging-associated chemicals and their hazards. Science Of The Total Environment, [s.l.], v. 651, p.3253-3268, fev. 2019. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.scitotenv.2018.10.015
  6. Plastic free July. Disponível em: https://www.plasticfreejuly.org/
  7. A whopping 91% of plastic isn´t recycled. https://www.nationalgeographic.com/news/2017/07/plastic-produced-recycling-waste-ocean-trash-debris-environment/
  8. MARIN, Camila Burigo et al. Marine debris and pollution indexes on the beaches of Santa Catarina State, Brazil. Regional Studies In Marine Science, [s.l.], v. 31, p.100771-100781, set. 2019. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.rsma.2019.100771
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