babywearing: colo demais faz bem, obrigada!
Maternar e Paternar

Babywearing: colo demais faz bem, obrigada!

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Muitos médicos e pesquisadores, incluindo os famosos Dr. Harvey Karp (autor do livro A criança mais feliz do pedaço) e Dr. William Sears, discutem os benefícios de criar uma atmosfera parecida com a do útero materno para os recém-nascidos. O famoso Dr. Sears, na década de 1980, cunhou o termo babywearing, que significa vestir-se com o bebê.

Por séculos, o babywearing foi uma parte essencial na maternidade em diversas culturas, sendo que, nas últimas décadas, esta prática tem se tornado muito popular na cultura ocidental.

Quais são os benefícios do babywearing?

Ao ‘vestir’ seu bebê, você está disponibilizando um ambiente que ajuda acalmá-lo e a organizá-lo. Seu bebê se move quando você se locomove, pode ouvir as batidas do seu coração, sua voz, e sente o calor do seu corpo – sensações calmantes e que o lembram de quando estava dentro da barriga da mãe.

As pesquisas indicam que o babywearing pode facilitar a regulação hormonal do bebê, ajudando-o a dormir melhor à noite e se manter acordado durante o dia. Ajuda a regularizar o comportamento e a atividade motora, enquanto também auxilia o desenvolvimento emocional, intelectual e psicológico.

Ao permanecerem em contato físico com outra pessoa, eles harmonizam o seu ritmo respiratório, os batimentos cardíacos, a temperatura (ideal quando eles têm febre), o sistema imune e até os ciclos de sono. Além disso, praticar cama compartilhada seria uma continuidade do babywearing, inclusive não existe morte súbita de bebês nas sociedades onde a cama compartilhada é o normal e habitual.

O babywearing funciona na prática?

Pais de bebês mais agitados, que praticam babywearing, relatam que seus bebês parecem esquecer-se de barulho. Isso é mais do que apenas impressão.

Em 1986, uma equipe de pediatras, em Montreal, relatou esse fato em um estudo de noventa e nove pares mãe-bebê. Ao primeiro grupo de pais, foi fornecido um sling e solicitado que transportassem seus bebês por, pelo menos, três horas extras por dia. Eles foram estimulados a levar seus bebês ao longo do dia, independentemente do estado da criança, não apenas em resposta ao choro ou agitação. No outro grupo, sem sling, os pais não receberam quaisquer instruções específicas sobre carregar o bebê. Após seis semanas, os bebês que os pais receberam orientações sobre carregar seus bebês, choraram 43% menos do que o grupo sem o carregador.

Os antropólogos que viajam por todo o mundo estudando as práticas de cuidados infantis em outras culturas concordam que “lactentes babywearing” choram muito menos.

Como são as outras culturas?

Nós acreditamos que é “normal” os bebês que choram muito, mas, em outras culturas, isso não é aceito como normalidade.

Na cultura ocidental, nós medimos o choro de um bebê em hora, mas em outras culturas, o choro é medido em minutos. Nessas culturas, os bebês são naturalmente carregados nos braços e são retirados apenas para dormir – ao lado da mãe. Quando os pais precisam comparecer às suas próprias necessidades, o bebê vai para os braços de outra pessoa.

A posição “sapinho”

Com tudo isso, a posição natural e harmônica do sapinho, para carregar bebês e crianças maiores ajuda no correto desenvolvimento da articulação quadril-fêmur, bem como a coluna. Pois, essa era a posição quando recém nascidos, como a do útero, assim facilitando a perfeita articulação entre o quadril e a cabeça do fêmur, que precisa ser abraçada para respeitar seu desenvolvimento natural.

Assim como nós adultos não somos rígidos – digo nossa coluna não é reta: temos contornos nela – o bebê também não o será. Sua coluna é em formato de ¨C¨ e demorará alguns anos até chegar a mesma nossa de hoje. Primeiramente virá o tônus da cervical que começará a fazer uma lordose natural e se sustentar. Logo após, virá a curva da lombar que se desenvolverá engatinhando e, depois, nos primeiros passinhos, mesmo se segurando.

Por isso, é inadequado o uso contínuo de carrinhos e bebês confortos, pois o mesmo não respeita os contornos do corpo do bebê. O mais indicado – e sempre será – é o colo, porque respeita tudo isso e o incentiva a ir fazendo todo esse processo naturalmente. Sem estresse para nenhuma das partes: o carregador e o carregado.

Tudo isso, somado a uma fisiologia correta, onde desde o desenvolvimento do quadril, coluna e crânio e a aquisição gradual de tônus muscular, são receitas de sucesso no carregar correto. Sempre como se ele estivesse acocado em você, com as perninhas em ¨M¨, você terá a sensação de que ele estará como uma ventosa, acoplado, encaixado perfeitamente, agarradinho em você!

Por Nínive Silva da Agarradinho Slings.

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Post atualizado em fevereiro de 2021.

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